REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA

É a área da medicina especializada no tratamento dos distúrbios da fertilidade humana.

Algumas de suas principais indicações são a endometriose, obstruções tubárias, comprometimento seminal moderado e severo, obstrução dos ductos ejaculatórios, infertilidade sem causa aparente, falta de sucesso em tratamentos anteriores, entre outras. Existem diferentes técnicas de tratamento em R.H. como vemos a seguir:

DA FECUNDAÇÃO AO EMBRIÃO

AS TÉCNICAS

INDUÇÃO DA OVULAÇÃO

Técnica onde a ovulação é estimulada com hormônios para se obter de 1 a 4 óvulos, que serão fertilizados nas trompas através de relações sexuais normais na época mais fértil da mulher.

Indicado quando a mulher possui irregularidade menstrual e distúrbios ovulatórios como ovários policísticos e alterações hormonais.

INSEMINAÇÃO INTRA-UTERINA – ITU

O processo também é feito no período fértil da mulher. Inicialmente realizamos a estimulação da ovulação para obtenção de folículos em fase pré-ovulatória e cavidade uterina com endométrio preparado para receber o óvulo fecundado. Nesta época, é coletado o sêmen do marido para preparo e beneficiamento em laboratório. O material é inseminado dentro do útero utilizando-se um catéter especial para essa finalidade, num ponto próximo a entrada das trompas, para facilitar a jornada do espermatozóide em busca do óvulo a ser fecundado. Está indicado nos casos de trompas normais, alterações do muco do colo uterino e alterações leves dos espermatozóides.

FERTILIZAÇÃO IN VITRO – FIV

Conhecida também por “bebê de proveta”, esta técnica reproduz no laboratório as condições necessárias para que ocorra a fecundação e as primeiras etapas do desenvolvimento embrionário. Após estímulo da ovulação com hormônios, são removidos os óvulos dos ovários – isso é feito com o auxilio do equipamento de ultra-som sob sedação leve. Os óvulos são colocados em contato com os espermatozóides numa estufa especial no laboratório, que imita as condições naturais da trompa materna. Após 24 a 36 horas, os embriões obtidos são selecionados e transferidos para o útero.

A FIV é indicada nos casos de doenças das trompas, endometriose, infertilidade sem causa aparente, alterações seminais masculinas, falhas de sucesso em IIU, laqueadura tubária e fatores imunológicos.

FERTILIZAÇÃO POR INJEÇÃO INTRACITOPLASMÁTICA DE ESPERMATOZÓIDE – ICSI

Até 1994, casais com infertilidade masculina severa eram praticamente excluídos de programas de fertilização in vitro por não se conseguir bons resultados.

Hoje, este quadro mudou graças à técnica ICSI, onde é possível selecionar um único espermatozóide e injetá-lo diretamente em cada óvulo. Esta técnica é indicada quando existem alterações severas na quantidade, mobilidade ou morfologia dos espermatozóides, após vasectomia, azoospermia e fatores imunológicos.

O procedimento inicial é o mesmo da FIV, só que ao invés de se deixar milhares de espermatozóides nadando em volta do óvulo para apenas um fertilizá-lo, uma micropipeta perfura delicadamente a parede do óvulo e deposita o espermatozóide dentro dele.

DOAÇÃO DE ÓVULO

É indicada para mulheres com idade avançada, anomalias genéticas associadas ao óvulo, menopausa precoce, baixa produção de óvulos, pacientes na pós-menopausa, mulheres submetidas a radio ou quimioterapia, ou que realizaram várias tentativas de FIV sem sucesso.

DIAGNÓSTICO GENÉTICO DE PRÉ-IMPLANTAÇÃO – DGPI

É uma técnica que pode ser realizada durante o processo de fertilização in vitro. Tem o objetivo de analisar os cromossomos dos embriões antes que eles sejam transferidos para o útero.

Após a fertilização, retira-se uma célula de cada embrião produzido. Esta célula é analisada para tentar indentificar alterações numéricas nos 7 principais cromossomos envolvidos em síndromes (Síndrome de Down, Síndrome de Edwards, Síndrome de Patau, Síndrome Turner, entre outras).

Essa biópsia embrionária é realizada sem que haja prejuízo para seu desenvolvimento, e permite selecionar o embrião com maior probabilidade de ser cromossomicamente normal – dessa forma, aumenta a chance de sucesso do tratamento.

ÚTERO DE SUBSTITUIÇÃO

Pode ser realizada em mulheres que retiraram o útero (histerectomia), nasceram sem útero ou vagina, ou que apresentam alterações significativas na cavidade uterina, como por exemplo, miomas múltiplos, aderências importantes, etc.

O procedimento é o mesmo da FIV: os óvulos e o sêmem são fertilizados em laboratório. A diferença é que neste método, os embriões são colocados no útero de outra mulher que prosseguirá com a gestação e o parto. Ao contrário da doação de óvulos, esse procedimento não deve ser anônimo, mas preferencialmente realizado com parentes de 1º ou 2º graus.

CONGELAMENTO DE EMBRIÕES

Utilizado quando existem embriões excedentes após uma tentativa de FIV ou ICSI, ou quando existe o risco de ocorrer a Síndrome de Hiperstimulação Ovariana.
Os embriões são congelados e mantidos no laboratório para serem transferidos em um outro ciclo menstrual. Oportunamente, a mulher é preparada para receber os embriões transferidos para o útero, mesmo após um período de alguns meses ou anos.