Primeiro bebê concebido em útero transplantado nasce na Suécia

dezembro 08, 2014
admin
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Nasceu na Suécia o primeiro bebê que foi gerado em um útero transplantado, revelou neste mês a revista médica britânica “The Lancet”. Esse importante avanço na luta contra a infertilidade permitiu à mulher, que nasceu sem útero, dar à luz um menino saudável, em setembro, após 31 semanas de gestação, destaca a revista. O bebê nasceu com 1,775 kg.

A mãe tinha ausência congênita do útero. Ela deixou o hospital três dias após o parto, enquanto que a criança recebeu alta da unidade neonatal dez dias depois do nascimento O útero transplantado era de uma mulher de 61 anos, que entrou na menopausa há sete anos, após ter sido operada.

Especialista em Ginecologia Obstetrícia da Universidade de Gotemburgo, Mats Brännström alerta que: “Esse sucesso se baseia em mais de dez anos de pesquisas intensivas em cobaias e treinamento cirúrgico da nossa equipe e cria a possibilidade de tratar um bom número de jovens mulheres no mundo que sofrem de infertilidade uterina.”, disse. “Além disso, demonstramos a viabilidade do transplante de útero de uma doadora viva, mesmo quando esta última se encontra na menopausa”, completou.

De acordo com outros especialistas, “a falta de útero era o único tipo de infertilidade feminina considerada, até agora, fora do alcance das possibilidades terapêuticas. O professor René Frydman, pai científico do novo bebê, recebeu com entusiasmo essa etapa que em suas palavras é comparável à do “transplante de coração para as doenças cardíacas”

A mulher tratada tinha os ovários intactos, sendo, portanto, capaz de produzir os óvulos que foram fecundados pelas técnicas de fecundação in vitro (FIV) antes do transplante. Com isso, foi possível dispor de 11 embriões congelados. Um ano depois do transplante de útero, os médicos transferiram um único embrião para o útero transplantado, o que levou à gravidez.

“Observamos um único episódio de fraca rejeição durante a gravidez, tratado com corticosteroides, e a mulher trabalhou em tempo integral até a véspera do parto”, destacou Brännström. O crescimento do feto e a irrigação sanguínea pelas artérias uterinas e pelo cordão umbilical foram normais até a 31ª semana. A partir desse momento, ela teve de ser hospitalizada, devido à eclampsia, e foi submetida a uma cesárea. A eclampsia é uma doença marcada, sobretudo, pela hipertensão e representa um risco para o feto.

A nova mãe está entre uma das nove suecas que aceitaram um transplante de útero de doadoras vivas em 2013. Do mesmo modo que sete delas apresentava a mesma síndrome que leva à ausência – total ou parcial – de vagina e de útero. Essa circunstância provoca efeitos uma em cada cinco mil mulheres de forma congênita.

No Reino Unido, enumera-se que mais de 12 mil é o número de mulheres em idade reprodutiva que apresentam fatores de infertilidade de origem uterina, aponta a revista médica “The Lancet”.

Antes deste feito, outras tentativas de transplantes com úteros de doadoras – vivas, ou não – já haviam sido realizadas, mas fracassaram.

A primeira vez foi na Arábia Saudita, em 2000. Depois de três meses, o útero da paciente necrosou. Outra tentativa foi na Turquia, em 2011, quando se recorreu ao útero de uma doadora falecida. A gravidez teve início, mas acabou em aborto.

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