De que forma o cérebro grava para sempre a língua materna

março 04, 2015
admin
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Padrões neurais criados por idioma ouvido nos primeiros anos de vida permanecem guardados na memória permanentemente. É possível que crianças criadas longe de seu país de origem e que perderam contato com seu idioma nativo possam ter mais facilidade para falá-los anos mais tarde? A resposta é sim! E ela se encontra no cérebro. Os padrões neurais criados pelo idioma ouvido nos primeiros anos de vida ficam guardados na memória e estes padrões são mantidos ao longo do tempo, mesmo que a pessoa não volte a entrar em contato com sua língua nativa. Essa é a conclusão de um estudo publicado recentemente pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. É por conta desse “rastro” deixado pela língua abandonada que crianças adotadas por pais de outras nacionalidades têm maior facilidade para aprender seu idioma nativo.

Mandarim e francês

Nos primeiros estágios do desenvolvimento da linguagem, as crianças aprendem a distinguir, independentemente do idioma, quais os sons são importantes e significativos como uma marca no cérebro. O intuito do estudo foi analisar se essas representações foram mantidas ao longo da vida ou desapareceram quando a criança deixou de ouvir sua língua nativa. Para conduzir a pesquisa, foi realizada uma série de exames de ressonância magnética em 44 meninas entre 9 e 17 anos, enquanto escutavam gravações em mandarim.

Linguagem e som

Ao ouvir a gravação, os cérebros das meninas que tiveram algum contato prévio com o mandarim – as que falavam e as que não falavam o idioma – mostraram atividade no hemisfério esquerdo, onde a linguagem é processada. Nas meninas que só falavam francês, foram ativadas regiões do hemisfério direito, envolvido no processamento dos sons. O padrão de ativação cerebral das meninas chinesas que foram adotadas fez o grupo de pesquisadores ficarem surpresos, pois coincidiu com as meninas que falavam chinês desde o nascimento. Ou seja, as representações neurais que embasam esse modelo só poderiam ter sido adquiridas durante os primeiros de meses de vida.

Variações

O experimento também avaliou crianças menores de seis meses, e nelas também pôde se comprovar padrões cerebrais criados logo após o nascimento. Entretanto, há uma relação entre a idade de adoção e a intensidade da resposta do cérebro, ou seja, quanto mais essas crianças ouviram mandarim nos primeiros meses, mais se ativou essa região do cérebro. Portanto os pesquisadores puderam afirmar que se a exposição à língua nativa dura pouco tempo, menos de seis meses, o efeito, por conseguinte é menos forte.

O próximo passo do estudo será investigar se essas representações neurais afetam a forma como o cérebro aprende uma segunda língua e analisar em detalhes o processo de aprendizagem da língua esquecida.

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