CIRURGIA REPRODUTIVA

A Cirurgia Reprodutiva é uma forma de tratamento cirúrgico conservador para casos onde alterações anatômicas estão presentes no diagnóstico da infertilidade de homens e mulheres e, portanto, podem ser corrigidos. Tais diagnósticos podem ocorrer isolados ou associados a outras condições de infertilidade. Sendo assim, a Cirurgia Reprodutiva pode recuperar a fertilidade ou ainda ser coadjuvante a outras Técnicas de Reprodução Assistida com o intuito de aumentar a sua eficácia.

Atualmente, muitas dessas técnicas envolvem cirurgias por acessos minimamente invasivos, também conhecidos como cirurgias video-endoscópicas – essa é a via de preferência sempre que possível. Após a investigação do casal, tratar problemas que levam a infertilidade como endometriose, miomas uterinos, aderências pélvicas, cistos ovarianos, pólipos endometriais, varicocele e malformações anatômicas congênitas ou adquiridas pode ser necessário.

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Endometriose

Endometriose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de endométrio fora da cavidade uterina. Poder até ser assintomática, mas os sintomas típicos são dor durante o ciclo menstrual, dor durante a relação sexual e infertilidade. O mecanismo exato de como a endometriose leva à infertilidade não é completamente conhecido. Porém existe forte associação entre endometriose severa e infertilidade. Muitos estudos mostram que o tratamento da endometriose moderada e severa pode restaurar a fertilidade da mulher para conceber por ela mesma ou melhorar o sucesso das Técnicas de Reprodução Assistida. Entretanto, nem sempre é obrigatório realizar a Cirurgia Reprodutiva antes da FIV. É preciso selecionar qual é a mulher que será beneficiada pela cirurgia e aquela que deverá realizar a FIV sem cirurgia naquele momento. Quando necessário, o tratamento cirúrgico visa remover ou reduzir a quantidade de tecido endométriotico da pelve. Isso pode ser conseguido por:

Videolaparoscopia: uma pequena incisão é realizada logo abaixo da cicatriz umbilical e uma câmera é então colocada para visualizar os órgãos da pelve. Pequenas incisões adicionais são necessárias para que sejam colocados instrumentos visando a remoção ou cauterização dos focos da doença.

Minilaparotomia ou Laparotomia: são incisões próximas a sínfise púbica ou na parede abdominal para permitir acesso direto aos órgãos pélvicos. São normalmente realizados em casos de endometriose severa onde a manipulação cirúrgica é maior.

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Miomas uterinos

Aproximadamente 30% das mulheres apresentam miomas uterinos. Eles podem ser assintomáticos ou causar hemorragias menstruais, abortos recorrentes, dor pélvica e anemia. A necessidade de cirurgia depende da quantidade de miomas, da sua localização e do seu tamanho. Miomas uterinos que deformam parte interna do útero ou aqueles de grandes dimensões geralmente necessitam de remoção cirúrgica. A cirurgia para essa finalidade chama-se miomectomia. Ela pode ser feita por videolaparoscopia, laparotomia ou por vídeo histeroscopia.

Videohisteroscopia: procedimento endoscópico realizado por dentro do canal do colo uterino com a finalidade de remover miomas, aderências, pólipos ou inperfeições da cavidade uterina.

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Aderências pélvicas

Aderências­ pélvicas podem ser removidas cirurgicamente, entretanto cirurgias podem também causar aderências pélvicas. Infecções pélvicas, cirurgias anteriores, apendicite aguda, entre outras, são causas de aderências pélvicas.

Hidrosalpinge

Hidrosalpinges são trompas obstruídas e com conteúdo líquido no seu interior. Podem acontecer decorrentes de infecções pélvicas, endometriose ou aderências. O líquido do interior da trompa comprometida possui substâncias “tóxicas” para o embrião, diminuindo as chances de gravidez espontânea e por FIV. Sempre que um hidrosalpinge é identificado sua remoção cirúrgica prévia ao tratamento de FIV aumenta as chances de gravidez e deve ser realizado.

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Cistos ovarianos

Cistos ovarianos são um achado comum na vida da mulher em idade reprodutiva. A grande maioria deles tem cura espontânea ao longo do ciclo menstrual. Entretanto cistos ovarianos persistentes por vários meses ou aqueles de grandes dimensões podem requerer cirurgia. São de natureza benigna na sua grande maioria. O câncer de ovário é muito raro em mulheres na idade reprodutiva. A cirurgia para sua remoção é chamada de ooforoplastia – remove somente o cisto ovariano preservando o ovário remanescente. É geralmente realizada por videolaparoscopia.

Ovários policísticos fazem parte de outro diagnóstico e também correlacionam-se com infertilidade. Esses geralmente são tratados com medicamentos e raramente necessitam de cirurgia.

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Anomalias congênitas do aparelho reprodutor feminino

Durante o desenvolvimento fetal anormalidades no útero, trompas e vagina podem ocorrer. Elas podem causar infertilidade, dor pélvica, alterações menstruais e abortos recorrentes. Septos uterinos, septos vaginais e anormalidades no colo uterino podem ser corrigidos por videolaparoscopia ou videohisteroscopia visando restaurar a normalidade anatômica.

Anormalidades uterinas adquiridas

Pólipos, sinéquias ou aderências, miomas e cicatrizes uterinas podem ser removidas por videohisteroscopia e/ou videolaparoscopia. Esses procedimentos restauram a anatomia normal e aumentam as chances de gravidez quando cirurgicamente tratados.

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Tratamentos cirúrgicos para infertilidade masculina

Reversão de vasectomia: visa restaurar e liberação de espermatozoides no líquido ejaculado de homens previamente vasectomizados.

TESA (Aspiração de Espermatozóide Testicular): punção do testículo com agulha visando obter espermatozoides da amostra extraída para serem usados em ICSI.

PESA (Aspiração Percutânea de Espermatozóides): punção do epidídimo com agulha visando aspirar espermatozoides de um bolsão para serem usados em ICSI.

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